segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Reflexões sobre o ano novo

Cada ano que finda em nossa existência temporária na Terra, é uma fração do
tempo que usamos, bem ou mal, em nosso processo evolutivo. O fim do ano é assim
uma oportunidade para avaliarmos nosso bom ou mau uso do tempo, realizando o
balanço de nossa vida, da mesma maneira porque as empresas comerciais procedem
ao seu balanço anual de atividades, lucros e perdas. É tão errado
pensarmos que o fim do ano nada significa, quanto lhe atribuirmos excessiva
importância. O ano chega ao fim: pensemos o que fizemos durante o seu
transcurso, e vejamos o que podemos fazer de melhor, no novo ano. Mas se
verificarmos que perdemos o ano que finda, não nos deseperemos. Há pela frente
um novo ano, ainda intacto, um presente do Eterno, para o nosso desenvolvimento
na duração.





É sempre assim. Geralmente antes do Natal já começamos a refletir sobre o que foi nossa vida neste ano que finda. Ao embalo das vibrações harmônicas deste período, passamos desde segundos, até minutos ou horas avaliando e reavaliando o que fizemos ou deixamos de fazer neste ano.



No texto citado como epígrafe para minhas reflexões, Herculano Pires tece reflexões sobre o Ano Novo num artigo de nome O Ano Novo.


E sua base é o capítulo Uranografia Geral, psicografado pelo astrônomo e médium Camille Flammarion, constante de A Gênese.



É um capítulo interessante e polêmico, mas dentro do ponto em que tentaremos focar nestas reflexões ele cabe bem. Vejamos esta definição:



"O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias".



Diante disto, o fim do ano, por exemplo, nada mais seria que um limite convecional, sem maiores significações para nossas vidas? E para nós espíritas e espiritualistas, em geral, que conhecem a eternidade da alma, não deveríamos levar em consideração estas medidas relativas? Elas teriam mesmo importância?



Aqui vai um lembrete e uma advertência: parto do princípio de que falo para espíritas ou espiritualistas, como meus leitores. Se você, meu caro leitor ou leitora for ateu, agnóstico ou não admita os pressupostos que utilizo como fundamentação para minhas reflexões, peço-lhe licença para esclarecer que não falo daquilo que 'acho' que é ou deve ser, mas daquilo que é. De algo que com o passar do tempo somente acumula provas e mais provas patentes e irrefutáveis.



Esclarecido isto, continuemos.



Esta medida de tempo que utilizamos nos leva a marcar dias, meses, anos. Herculano afirma que 'embora convencional, esta medida tem, portanto, uma realidade que a fundamenta. Contando os anos, estamos contando a nossa percepção do fluir da duração na eternidade, da mesma maneira porque, contando os quilômetros, estamos contando o fluir da extensão na imensidade".


Interessante, não?



Tudo bem, alguns podem objetar ser esta medida relativa. Sim, sim, assim como nossa percepção de tempo e espaço são, para nós, essenciais para seres que vivem no mundo do relativo, do transitório, das formas fugazes.



Entretanto, não tenciono entrar num complexa discussão sobre o que seria o espaço e o tempo, e sobre a sua realidade ou não.



Quero apenas utilizá-los como fomentadores, como preâmbulo, para poder tocar no ponto essencial da mensagem: seguindo o exemplo das empresas comerciais e seus balanços de fim-de-ano, que tipo de avaliação poderemos dar ao nosso ano que já termina?



Herculano nos dá uma dica para podermos nos avaliarmos com equilíbrio: nem desvalorizá-lo nem supervalorizá-lo.



Não devemos nos desesperar porque não fizemos nada do que havíamos nos prometido, nem devemos passar por ele como se nada representasse.



Ponderemos tudo o que fizemos, admitindo com seriedade e serenidade o que fizemos de errado e buscando fincar os pés no chão quando estivermos preparando uma nova lista de prioridades para o ano novo.



Se não fizemos tudo o que desejávamos, ainda temos um novo ano repleto de possibilidades. Se não alcançamos tudo o que queríamos, temos ainda um novo ano para alcançar a vitória.



Aproveitemos as reflexões que já pudemos fazer no Natal, este período que nos impele a pensar com mais serenidade, com mais carinho e com mais sensibilidade.



Apoveitemos pois o o tempo é uma medida relativa das coisas transitórias, pois se o tempo passa, nós, que somos espíritos, somos eternos. Enquanto nosso corpo envelhece, nós permanecemos os mesmos, só que com mais experiências, mais maturidade.



Busquemos conquistar mais conhecimento, mais serenidade, mais paciência, mas compaixão, doar mais antenção aos nossos companheiros de jornada, mais amor, mais carinho, mais atenção.

Mesmo escrevendo às pressas, com a cabeça cansada, espero ofertar à todos uma reflexão sobre a importância de considerar este período, esta data como importante, como sincera, verdadeira. Com um significado que muitas vezes subestimamos.

Muita paz, luz e harmonia à todos vocês em 2009!

E que venha ele, pois como soldados prontos para a guerra, estaremos de pé esperando que as batalhas cheguem, para, como Júlio César, afirmar: Vim, vi, Venci!

Abraços!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Reflexões natalinas

É natal. Como sempre, esta é uma época que acaba nos impulsionando para um estado reflexivo sobre o que andamos fazendo com nossas vidas, pois junto com o natal vem sempre a apreensão e as expectativas de um ano novo.

Passeando pelas ruas e avenidas de Recife, capital pernambucana, especialmente nesta época, nos deparamos com alguns outdoors estampando mensagens da Assembléia de Deus com dizeres mais ou menos assim: "não troque Jesus por Papai Noel", "neste natal parabenizemos o verdadeiro aniversariante: Jesus", entre outras.

De fato, nesta época em que muitos entram numa busca insana, em muitos casos, numa louca corrida atrás de presentes, como manda a expectativa criada e alimentada por nossa sociedade consumista, esquecemos não só do verdadeiro significado do natal, como do seu aniversariante. Tudo bem, existem alguns que não o valorizam. Outros que questionam a validade da data, afirmando ser ela mais provável em janeiro. Não importa.

O que importa é que, convencionada esta data, e o seu ainversariante, nos sobra a seguinte reflexão: o que estamos fazendo com os ensinos dados por ele? Quando ele afirmou que os 'seus discípulos seriam conhecidos por muito se amarem', entendia ele apenas os judeus, os cristãos, os protestantes, ou a todos os que SÃO os seus irmãos e discípulos?

Diante da diversidade de opiniões e seguidores que se fazem a seu respeito e da sua doutrina, quem estaria certo?

E nesta época de natal, nesta época de reflexões que deveríamos estar fazendo, cabe nos anatematizarmos?

O que estamos fazendo conosco mesmos?

E nós espíritas, que compreedemos, ou deveríamos compreender melhor os seus ensinos agora clareados pela Doutrina Espírita, que andamos fazendo?

Nos embrenhamos em contendas infindáveis sobre o que seja ou não 'doutrinariamente correto', à semelhança dos antigos fariseus, buscando ocultar nosso desejo de ter nossa opinião acatada? Desconhecendo muitas vezes como definir o doutrinariamente correto do incorreto, desconhecendo muitas vezes o que seja o Espiritismo, não damos vazão nestes momento à nossos vícios e torpezas morais?

E quando pregamos o autoconhecimento baseado em obras duvidosas, estamos praticando uma busca sincera pelo verdadeiro conhecimento? O ato de analisar e pesar com todo o rigor obras e opiniões deverá ser adiado infinitamente só porque não achamos que nos conhecemos devidamente? E quando se dará isto? Não será uma desculpa semelhante a que damos quando, não querendo assumir a responsabilidade de um trabalho caritativo ou mediúnico, alegamos ainda termos inúmeras imperfeições?

Quando Jesus solicitou a cooperação dos seus discípulos, escolheu os doutos e santos ou procurou aqueles sinceros e incultos trabalhadores, no geral analfabetos?

Isto foi para nos demonstrar a incrível capacidade que temos de transcender nossos limites quando assim o desejamos, além de confirmar que a inteligência quando largamente distanciada das questões morais se perde em querelas inúteis, em arrogâncias e vaidades.

E retornando ao Natal, nesta noite que antecede a ceia que tradicionalmene fazemos, que reflexões devemos e podemos fazer?

O que andamos fazendo de nossas vidas? Que significado estamos dando e ensinando aos nossos filhos nesta data tão importante?

Estamos ensinando-o a priorizar as 'coisas' do espírito, ou a se ater com o que é transitório? Estamos ensinando-o a entender o natal como uma época de reunião da família, com a intenção de fortalecer os laços, de relembrar as lições morais espírita-cristãs, a importância do amor, da sinceridade, da amizade, de que os presentes dados são apenas lembranças [embora eu adore ganhá-los, ainda prefiro mil vezes ter minha família por perto] e não o ponto mais importante da noite, enfim, que é época de agradecermos a Deus por tudo o que temos e somos, e o melhor, por sabermos que se ainda não somos melhores, não é por que estamos fadados a ser assim pelo destino, mas que podemos sim ser melhores, mais amáveis, mais inteligentes, mais caridosos, mais esperançosos.

Pois é, é natal, e ano novo também, que seja feliz quem souber o que é o bem, canta Simone todo o ano.

Que façamos desta frase, nosso estandarte. Que façamos desta data um diferencial em nossas vidas, como o momento em que decidimos ser melhores, sejamos espíritas, umbandistas, espiritualistas, budistas, flamenguistas, rubro-negros, alvi-rubros, católicos, protestantes, o que seja!

É tempo de mudar, de sermos melhores, de não apontarmos os erros dos outros, de sermos pacientes, tolerantes, indulgentes, semeadores de esperança, de consolo, de conhecimentos, de cultura, de sabedoria.

Kardec enfatizou que Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más, e podemos ampliar para todos os que nesta data se esforçam para compreender o verdadeiro espírito do natal: o amor.

Nisto, tirando o exagero que algumas vezes encontramos em certas denominações cristãs, concordo com a mensagem do outdoor: não substitua Cristo por Papai Noel, se isto significar a troca do Amor, em seu sentido divino pelas bagatelas materiais que nossa sociedade doente se acostumou a comercializar. Não se importe com o tamanho do presente, mas, sim, com o tamanho do amor que você oferta a quem você ama. O presente emociona, mas é transitório, seu efeito passa rápido. O amor é eterno, seus efeitos só se intensificam com o passar do tempo.

E aí, que reflexões você anda fazendo neste dia? Que lições estamos dando aos nossos filhos?

Que Deus nos abençoe e nos faça compreender, realmente, o que seja o AMOR.

Que Deus seja louvado!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sobre o Egoísmo

É fato reconhecido que o egoísmo está na raiz dos diversos males sociais por que passa a humanidade. Os diversos conflitos de interesse, as diversas formas de escravizar o próximo para atingir determinados interesses, mesmo os mais vis, sejam materiais ou morais.

Sendo desta forma, importante ressaltar que o egoísmo, ao qual colocamos a culpa de inúmeros males, é apenas uma faceta de um mal maior, raiz, este sim, de muitas das desgraças já acontecidas à humanidade em todos os tempo: o orgulho, pai do egoísmo.

É justamente o orgulho que dá base maior e mais firme, embora irracional, pois o orgulho tem em si um ar de superioridade, uma certeza de que é melhor que os outros, e que não deve favores a outrem mas, sim, são eles que os devem.

Segundo Kardec "julgando-se com direitos preferenciais, molesta-se por tudo o que, em seu entender, o prejudica. Naturalmente a importância que, por orgulho se atribui, o torna naturalmente egoísta".

O egoísmo e o orgulho tem, há que ressaltar, origem num sentimento natural: o instinto de conservação. E este instinto, como afirmam os Espíritos em O Livro dos Espíritos, procede da Lei de Conservação, Lei Natural.

Sobre este mesmo assunto, Herculano Pires escreveu o seguinte em Curso Dinâmico de Espiritismo: "A mais inútil das coisas e os mais prejudiciais dos seres são necessários. E ser necessário é ser indispensável, é pertencer a um elo da cadeia inimaginável que Kardec nos apresenta nesta frase tantas vezes repetida no Livro dos Espíritos: tudo se encadeia no Universo".

Ele diz isto porque o instinto de conservação, em si mesmo é útil para o desenvolvimento do princípio inteligente no seu processo de individualização e evolução. Seu excesso é que é prejudicial.

E é Kardec, novamente, que explica este ponto: "Este sentimento contido em justos limites é bom em si; a sua exageração é que o torna mau e pernicioso".

Importante isto: o instinto de conservação, enquanto dentro dos seus limites naturais, é essencial para o correto desenvolvimento da do espírito, enquanto ser psicológico (ou espiritual, espírito imortal) e orgânico (enquanto preso a um invólucro carnal, passando pelas fases da infãncia, juventude e madureza). Pois durante os primeiros anos de vida (na fase infantil), esta tendência a ser o centro das atenções no seio familiar é um fator característico.

Sobre este ponto, Herculano Pires nos traz uma valiosa contribuição: "Podemos seguir esse processo no caso humano, em que o ego aparece como pivô da personalidade em formação, desde a infância. A criança é egocêntrica, é um pivô em torno do qual giram as atenções e as afeições da família. Ela se torna, naturalmente, no centro do mundo. Porque esse é o meio de consolidação da sua individualidade".

Até aqui, que luz não é lançada para os pais e os educadores, para compreenderem o processo de desenvolvimento, principalmente, das crianças chamadas 'mais difíceis'.

Não é a aura que observaremos na criança para analisar se ela contém em si a essência de um bom espírito, mas nos seus atos, que desde a infância, podemos avaliar. Crianças que ultrapassam este limite natural traçado pelo instinto de conservação, chegando a ser agressivas, rabugentas, indisciplinadas (como por acaso são chamadas algums crianças da 'nova era'), fogem a este padrão e se enquadram justamente nas que desenvolveram (pelo menos hipoteticamente) mais a inteligência que a moral, pois é inconcebível que espíritos bons e benevolentes, quando encarnados se tornem indisciplinados, egoístas, histéricos e violentos quando não são atendidos, chegando a parecer que têm o 'rei na barriga'...

As crianças da 'nova era', como diz Kardec, em A Gênese, no capítulo 'Os Tempos são Chegados', devem ser desta forma:

"A nova geração, devendo fundar a era do progresso moral, distingue-se por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, unidas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é sinal indubitável de um certo grau de adiantamento anterior".

Interessante notar que o trecho seguinte afirma que esta nova geração não será exclusiva de espíritos superiores, mais ou menos avançados, mas de espíritos diversos, sendo que todos possuem em si os elementos necessários para secundar este movimento regenerador: disciplina, noção mais ampla do que seja o amor, sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas. Isto é apanágio de espíritos indisciplinados, notadamente egoístas e arrogantes?

Bom, como vimos, o instinto de conservação, sendo anterior à sua deterioração, quando se converte em egoísmo, é bom em si, como tudo o que vem de Deus. Nós é que o degeneramos.

E sendo a caridade e a fraternidade o resumo de todas os deveres e condições sociais, reclamando também a existência da abnegação, incompatível se torna a coexistência da liberdade, igualdade e fraternidade ao lado do egoísmo e do orgulho. Eles são antagônicos e na presença de um o outro de destrói.

Mas transformar o egoísmo em amor, em caridade, em idulgência, abnegação não é fácil. E foi por isso que Kardec, no mesmo texto já citado de Obras Póstumas afirma que "se quiserdes que os homens vivam como irmãos na Terra, não basta dar-lhes lições de moral".

A educação não deve ser somente aquela que instrúi, mas, e principalmente, aquela que forma o caráter do indivíduo. Essa a que Kardec se refere em O Evangelho segundo o Espiritismo.

Quantas vezes não educamos nossos filhos dentro dos princípios do egoísmo e nos assustamos com o monstro que criamos? Quando o proibimos de dividir seu brinquedo com um coleguinha da escola, de dividir o lanche, de voltar para casa apanhado, entre outras situações?

E aí entra a missão dos pais na educação dos filhos, respondendo não somente pelo bem que fez e o que o intruiu de fazer, mas acima de tudo, por todo o mal que o ensinou, e principalmente, pela omissão em ensinar algo que sabia ser o certo, ou ao menos alertar quanto ao mà conduta já em andamento.

Mas tem gente que afirma que o egoísmo e o orgulho são impossíveis de serem destruídos por serem inerentes ao homem. Se assim fosse, e o homem estivesse fadado ao atraso, à morrer com o egoísmo, porque vemos hoje tantos movimentos em prol da caridade, da fraternidade, sentimentos antagônicos dos primeiros? Porque observamos hoje uma preocupação maior com a prática de atitudes responsáveis, éticas, morais? Será porque o mal é inerente ao homem, ou porque faz parte do seu desenvolvimento como indivíduo assim como a sua libertação de tudo aquilo que lhe é danoso e lhe atrasa o desenvolvimento moral e intelectual?

Kardec ainda afirma que "a causa do orgulho está na crença, que o homem tem, da sua superioridade individual, e aqui se faz sentir a influência da concentração do pensamento nas coisas da vida terrestre".

E afirma em seguida que "a incredulidade, além de não ter meio para combater o orgulho, estimulá-o e dá-lhe razão, pelo fato de negar a existência de um poder superior à humanidade". E não é assim? O homem que não teme o futuro, por acreditar que nada existe após o túmulo, em que se baseia para ser caridoso? Não seria mais atrativo pensar nos seus desejos e nas suas sensações que ficar a se martirizar por alguém ou uma causa em que abandonará pela morte? Para quê se sacrificar em estudos e trabalhos exaustivos se o destino disto é o nada?

Por isso que, não sendo únicas, a crença em Deus e na vida futura, tal como apregoa o Espiritismo, racionalmente, através de uma séria reflexão, é a condição primeira, mais importante para esta transformação. Pois, além de ter em vista o futuro, deve-se analisar com pesar o passado para se fazer uma justa idéia do que se tem e passa no presente.

E a Reencarnação oferece esta possibilidade. Pois se ele apenas considera a vida no hoje, vê as desigualdades e não as pode explicar. Ao passo que se observa o amanhã, com a correta noção do que foi ontem, as consequências dos seus atos são extremamente outras.

Por isso, "no infinito campo, que o Espiritismo lhes põe aos olhos, a sua importância pessoal anula-se, por que compreende que, sós nada valem e nada podem, que todos precisamos uns dos outros não sendo nenhum mais que o outro; duplo golpe desfechado contra o orgulho e o egoísmo"(Kardec, Obras Póstumas).

Léon Denis afirma a mesma coisa em Depois da Morte: "(...)Antes de tudo, o homem é um ser social. Está destinado a viver com os seus semelhantes; nada pode fazer sem o concurso destes. Abandonado a si mesmo, ficaria impotente para satisfazer suas necessidades, para desenvolver suas qualidades".

Mas só aceitamos esta verdade quando, rebaixado o egoísmo, nos despimos da couraça criada pelo orgulho, couraça esta que só nos traz solidão e tristeza.

Entretanto, esta mudança não ocorre de súbito. Ele não pode transcender vícios e sentimentos de súbito. Muita luz o cega, o deslumbra, em vez de auxiliar. O homem precisa de tempo para assimilar novas idéias, novos sentimentos. Precisa do que Kardec chamou de 'maturidade do senso moral' em O Evangelho segundo o Espiritismo.

Por isto, estava corretíssimo Lao Tsé ao se expressar desta forma: "Aquele que vence o outro é forte, o que vence a si mesmo é invencível; quem conhece o outro é sábio, quem conhece a si mesmo é iluminado". (analise o leitor as questões 919 e 919-a)

Pois é muito fácil analisar e apontar os erros do outro. Difícil mesmo é assumir os nossos. E o egoísmo, aliado ao orgulho, é o sentimento mais difícil de erradicar no homem, em vista das mil desculpas que criamos para alimentá-los. Por isto estava e está correto Lao Tsé: conhecer o outro pode nos tornar sábios, gurus, mas o conhecer a si próprio nos torna iluminados. E olha que existem inúmeros exemplos de que isto é verdade.

Para finalizar, "o Espiritismo é, sem contestação, o elemento mais potente de moralização, porque alui os fundamentos do egoísmo e do orgulho, dando sólido fundamento à moral". E mais adiante acrescenta: "Ele encontrou o homem no meio da vida, no ardor das paixões, na força dos preconceitos, e se em tais condições tem operado prodígios, como não operará quando o tomar no berço, virgem de todas as impressões maléficas, quando lhe der, com o leite, a caridade, e o acalentar com fraternidade, quando, enfim, uma geração inteira vier alimentada por idéias que a razão fortificará em vez de debilitar?"

Várias gerações cresceram com os ensinamentos do Espiritismo mas, porque nós não vemos de maneira precisa, a realização desta previsão de Kardec?

Porque, embora não admitamos, estava certo Herculano Pires ao afirmar que "todos falam de Espiritismo bem ou mal. Mas ninguém o conhece. (...) Na verdade os seus próprios adeptos não o conhecem. Quem se diz espírita arrisca-se a ser procurado pra fazer macumba, despachos contra inimigos ou curas milagrosas de doenças incuráveis. Grandes instituições espíritas, geralmente fundadas por pessoas sérias, tornam-se as vezes verdadeiras fontes de confusão a respeito do sentidi e da natureza da doutrina".

Embora hoje, com o andar do movimento espírita brasileiro e mundial, esta realidade esteja sendo retrabalhada, modificada, ainda impera, principalmente aqui no Barasil, esta confusão, este desconhecimento.

E por isso, e por nossa covardia em abraçar um ideal, com medo de perder os 'favores mudanos', de abandonar velhos vícios é que não vemos esta realidade mudar. Não podemos ainda ver com alegria uma geração realmente imbuída dos princípios do Espiritismo, e por que não, das noções mais elementares das Leis Divinas que este ensina e propaga.

Entretanto, esta é uma realidade que se ainda não a vemos, temos a certeza e a fé que, traalhando todos unidos, de maneira séria e perseverante, poderemos, ao desencarnar, vislumbrar um pouco daquilo que será a Humanidade quando as crenças espíritas, seus princípios mais elementares estiverem disseminados em nossa sociedade, provocando uma renovação social, uma transformação real no dia-a-dia de cada um de nós. Aí poderemos sorrir satisfeitos por termos feito nossa parte, sabendo que os Espíritos continuarão, como sempre estiveram, fazendo a parte deles, ensinando o amor, destruindo o egoísmo e o orgulho, assim como todos os vícios inerentes a eles. Aí veremos a Era do Espírito brilhar!

Pensemos nisso!

Bons estudos e até a próxima!


Nota: este texto nasceu do estudo e preparação de uma palestra que proferi no C.E. Paz, Luz e Harmonia ao qual sou associado, no dia 02/12/2008 sobre o mesmo tema.